A medicina e o Surfe

Dr. Guilherme Vieira Lima fala sobre a antiga e importante relação entre a medicina e o surfe.

A interação do esporte com a saúde é um casamento perfeito.

A interação do esporte com a saúde é um casamento perfeito.

Por mais estranho que pareça, a relação entre medicina e surfe é muito mais antiga do que muitos leitores imaginam. Na história do surfe, algumas fontes declaram que um dos primeiros relatos escritos de pessoas surfando foi feito por um médico inglês em 1777; Dr. William Anderson, tripulante de uma das embarcações do capitão James Cook durante sua jornada de exploração do pacífico. Na ocasião, muitos navegadores morriam de escorbuto, mas com a presença dos cuidados médicos na tripulação, a mortalidade reduziu-se drasticamente.

Com a mesma filosofia do Dr. W. Anderson de prevenção e cuidados com a saúde dos navegadores, a medicina do surfe também se desenvolve buscando uma maior longevidade e segurança do surfista.

Quando falamos em medicina do surfe, a primeira ideia que nos vem são os traumas, que abrangem as pequenas contusões até as grandes fraturas óssea, extensos ferimentos e concussão cerebral. Mas esse ramo da medicina esportiva é muito mais amplo, principalmente por ser praticado no mar. O ambiente marinho vive em constante mudança. Além da sua fauna e flora peculiar, as variações de temperatura, corrente, ondulação, vento, maré e qualidade da água expõe o praticante a diversas situações.
Para melhor compreensão da medicina do surfe é preciso dividi-la em setores:
1) Trauma
2) Ortopedia
3) Exposição a fatores ambientais
4) Performance

1) Trauma: contusões, ferimento corto contusos, luxações, fraturas, lesões ligamentares e musculares traumáticas, concussões.

2) Ortopedia: são as doenças relacionadas ao gesto esportivo do surfe. A permanência na posição deitado na prancha remando, propicia lesões da coluna e ombros. E a posição de flexão do quadril durante o surfe exercendo mudança de direção e força também pode favorecer o surgimento de lesões labrais dos quadris, principalmente nos profissionais.

3) Exposição aos fatores ambientais (setor mais amplo): exposição a água do mar, sal, extremos de temperatura, vento, incidência aos raios UV, animais marinhos, doenças tropicais além do risco iminente de presenciar eventos de afogamento.

4) Performance: setor da ciência que estuda a mudança de algum padrão da prática esportiva visando uma melhora (e as vezes avalia a piora também) no rendimento do praticante.

Uma vez que os estudos da área da medicina do surfe se ampliam, a comunidade médica, fisioterápica, educadores físicos, guarda vidas entre outras, também se estruturam e organizam eventos como a “World Conference on Surfing Medicine – Congresso Mundial de Medicina do Surfe” realizado anualmente pela Surfing Medicine International assim como os cursos de primeiros socorros básico e avançado ( ASLS e BSLS) voltado ao surfe e o aplicativo gratuito de primeiros socorros ( Surf First Aid) ; a Wild Summit Brazil promovido pela ABMAR ( Associação Brasileira de Medicina em Áreas Remotas) que acontecerá nos dias 01 e 02 de Novembro em São Paulo abordará também o tema; a SOBRASA ( Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático), liderada pela referência mundial no assunto Dr. David Szpilman, realiza diversas campanhas de conscientização e prevenção, além de eventos de Surfe Salva.

Mais recentemente foi anunciado o lançamento de um app gratuíto- SID ( Surfing Injury Data @surfinjurydata) idealizado por um dos precursores de medicina esportiva do surfe- Dr Marcelo Baboughluian ( Médico dos TOPs – Gabriel Medina, Adriano de Souza, Italo Ferreira, Caio Ibelli entre muitos outros), que através do cadastro e troca de informações com os usuários visa manter o surfista surfando melhor e por mais tempo. Vale a pena conferir todas essas novidades.

O Surfe é esporte olímpico e precisa ter o suporte completo e multidisciplinar. Infelizmente o esporte nível profissional competitivo ultrapassa a barreira da saúde e acaba sendo nocivo. Dessa forma, a evolução da medicina do surfe é obrigatória para permitir que pratiquemos esse esporte melhor, mais saudável e por muito tempo.

A comunidade de Medicina do Surfe é mundial, crescente e colaborativa, a interação do esporte com a saúde parece ser um casamento perfeito.

Nas próximas matérias colocarei no final a agenda de eventos da área.
Surfar mais, melhor, saudável e seguro!

https://www.waves.com.br/variedades/novidade/a-medicina-e-o-surfe/

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