Reflexões sobre o plástico

Dr. Guilherme Vieira Lima propõe uma breve reflexão sobre o problema dos plásticos nos oceanos e por que nós, surfistas, somos os embaixadores desta causa.

Cerca de 8 toneladas de resíduos plásticos são despejados no mar anualmente. Foto: Reprodução.

Cerca de 8 toneladas de resíduos plásticos são despejados no mar anualmente. Foto: Reprodução.

“Canudinhos de plástico são banidos pelo governo”. Essa é uma notícia dada por diversos canais de comunicação ao redor do mundo, mas, você sabe o porquê dessa nova onda mundial? Será mais um modismo politicamente correto com algum ganho financeiro comercial ou realmente o consumo anda exagerado? A matéria desse mês explica um pouco da relação: homem, natureza e plástico; e o motivo de nós, surfistas, sermos os grandes embaixadores dessa causa.

O significado da palavra plástico (grego plástikos) designada a este produto, provem da sua capacidade de “moldabilidade”, de se transformar em diferentes formas de acordo com as condições físicas impostas ao material, sem que o mesmo se degrade. Porém, essa aparente vantagem de resistência, é a grande causadora dos problemas.

Interagimos com o plástico todos os dias e muitas vezes sem perceber. Ele está em toda parte. Já atingiu o ponto mais profundo dos nossos oceanos; foi encontrado nos picos do mais altos do Himalaia, em ambos os polos e em muitos outros lugares. Afeta a alimentação dos animais marinhos e os expõe a uma variedade de substâncias químicas prejudiciais a saúde. Os nanoplásticos e microplásticos (partículas muito pequenas) são hoje o grande vilão a ser estudado, eles estão presentes em cosméticos, fibras sintéticas em roupas, presente na água e mesmo no ar. Partículas plásticas já foram detectadas em fezes humanas, e seus aditivos foram encontrados no leite materno humano. Comemos, respiramos, bebemos e usamos plástico sem ter uma ideia clara do que isso significa para a nossa saúde.

A pesquisa científica sobre os efeitos potencialmente nocivos dos micros e nanoplásticos no nível celular e de órgãos ainda está engatinhando em todo o mundo. Sabe-se que eles causam danos ao nosso corpo por meio de inflamação, genotoxicidade e estresse oxidativo. A Holanda, afim de avaliar os efeitos no sistema digestivo, respiratório, imunológico e neurocognitivo está se posicionando como um dos líderes globais neste campo de estudo (https://www.plastichealthcoalition.org/#research-projects ) com os primeiros resultados programados para Abril de 2020.

A exposição dietética ao plástico é talvez a via de exposição mais amplamente reconhecida pelo público. A exposição alimentar ocorre pelo consumo de frutos do mar além de muitos outros. Porém já é sabido que é possível inalar e estudos sugerem absorção cutânea.

Calcula-se que 320.000.000 toneladas de plástico são produzidas todos os dias, a quantidade reciclada é infinitamente menor do que a produzida e cerca de 8 toneladas de resíduos dessa origem são despejados no mar diariamente. A fauna marinha certamente é uma das maiores prejudicadas, os animais confundem o lixo plástico flutuante com alimentos e acabam ingerindo e se asfixiando. Triste realidade para nosso esporte, que muitas vezes, nos encontramos em um lugar paradisíaco com ondas perfeitas cercado por uma sopa de plástico.

Nós surfistas, amantes do mar, através de instituições como a SURFERS AGAINST SEWAGE ( https://www.sas.org.uk) , SURFING MEDICINE INTERNATIONAL (https://www.surfingmed.com), INSTITUTO GUARDIAS DO MAR (https://institutogdm.org ) e mesmo a WSL- WORLD SURF LEAGUE entre muitas outras, promovem eventos de conscientização desse grande mal que toma conta do cenário praiano.

Em outubro de 2019, acontecerá o “Plastic Health Summit” (https://www.plastichealthsummit.org) em Amsterdan, promovido pela “PLASTIC SOUP Foundation” (https://www.plasticsoupfoundation.org) onde estarão reunidos as principais entidades responsáveis para debater o assunto.

A matéria desse mês não possui dados médicos técnicos, mas tem a finalidade de promover uma breve reflexão aos leitores do quanto eles consomem plástico sem saber e do quanto de plástico ele pode evitar de usar. Atente-se a armadilhas comerciais ricas em hipocrisias que vendem canudinhos de metal em embalagem de plástico ou possuem palitinhos higienizadores de canudo com cerdas de plástico.

Recolha 3 resíduos plásticos a cada vez que você visitar a praia e já vai colaborar para um surfe mais saudável do seu filho, neto e bisneto. Cuidar da saúde do mar, é cuidar da saúde do surfe!

https://www.waves.com.br/variedades/novidade/reflexoes-sobre-o-plastico/

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